A alta no preço do diesel, que pressiona o valor do frete, acende o alerta no setor de transporte e eleva o risco de mobilizações. Embora não haja, até o momento, confirmação de greve dos caminhoneiros, o cenário é considerado delicado. Em entrevista à Rádio Caxias, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (Fecam-RS), André Luis Costa, afirmou que, no estado, não há nenhum movimento de paralisação ou greve legalmente constituído.
Segundo ele, o transportador autônomo é o mais impactado pela elevação do diesel e, apesar das atualizações do piso mínimo do frete, ainda não consegue repor integralmente os custos. Costa explica que a deflagração de uma greve exige o cumprimento de uma série de etapas legais, iniciadas pela própria categoria, com a convocação de uma assembleia para deliberar sobre a paralisação. Caso aprovada, a decisão deve ser formalizada junto ao Ministério do Trabalho e aos demais órgãos competentes. Ele ressalta que a prerrogativa de convocação não é das associações, mas sim dos sindicatos.
O presidente detalha que, até o momento, foi publicado um edital convocando uma Assembleia Geral em Rio Grande, cujo desdobramento ainda é aguardado. Paralelamente, a federação convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Representantes para a próxima segunda-feira, às 9h, com o objetivo de reunir informações dos sindicatos sobre a situação em cada região do Estado.
Costa avalia que não é momento de ampliar a instabilidade e destaca que, apesar das medidas anunciadas pelo Governo Federal para amenizar os impactos, o aumento no valor do frete é inevitável. Segundo ele, o reajuste atinge transportadoras, indústrias e embarcadores, chegando ao transportador autônomo e, posteriormente, ao consumidor final.
Na quarta-feira (18), o governo federal, por meio do ministro dos Transportes, Renan Filho, e do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, anunciou um pacote de medidas para tentar evitar uma greve nacional. Entre as ações, estão o reforço na fiscalização da tabela de frete pela ANTT, a possibilidade de impedir que empresas infratoras contratem transporte e a divulgação pública de uma lista com as companhias que mais desrespeitam o piso mínimo.
Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nos postos brasileiros registrou alta de 11,8% em apenas uma semana. Em Caxias do Sul, levantamento do Procon aponta aumento entre 10,54% e 25,85% nos preços, entre fevereiro e março.


